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Psicodrama

O Que é Psicodrama

Qual a origem do psicodrama?

O psicodrama foi criado por Jacob Levy Moreno, psiquiatra romeno que nasceu em 1898, viveu e trabalhou em Viena até 1925 quando emigrou para os Estados Unidos, onde desenvolveu suas teorias e veio a falecer em 1974. Originou-se de experiências de teatro de Moreno, que criou um tipo de representação cujo objetivo era estimular a criatividade dos atores e, no qual a peça era criada na hora pelos atores, a partir de algum tema proposto no momento. Era o Teatro da Espontaneidade. A partir de um caso ocorrido no Teatro da Espontaneidade e que ficou conhecido como “O caso Bárbara”, Moreno percebeu o potencial terapêutico do teatro e elaborou sua teoria de psicodrama, como ato terapêutico. Bárbara era uma atriz da companhia de teatro espontâneo de Moreno e na hora de se criarem os papéis, assumia sempre os papéis de pessoa meiga e bondosa. George, expectador habitual do Teatro da Espontaneidade, apaixonou-se por Bárbara e casaram-se. Na convivência diária, Bárbara revelou-se o oposto do que se apresentava no teatro: era irritada, grosseira, uma megera.  George, infeliz, relatou seus problemas a Moreno, que lhe disse que ia tentar ajudá-lo. A partir de então passou a pedir a Bárbara que assumisse os papéis de megera e, desde que os assumiu, Bárbara começou a mudar em casa. Cada vez que começava a fazer uma cena de irritação com George, lembrava-se do papel desempenhado no teatro na noite anterior e começava a rir e conseguia adotar outro tipo de atitude. George relatou o que estava ocorrendo a Moreno e este percebeu o potencial terapêutico da dramatização e começou a estruturar o psicodrama como um ato terapêutico, utilizando conceitos vindos do teatro.

O psicodrama começou pois, como uma terapia de grupo e ato público. Aos poucos foi sendo levado para o contexto da psicoterapia individual e de consultório, transformando-se de um ato psicoterapêutico único em um processo psicoterápico de tempo variado. Hoje pratica-se mais psicodrama processual individual ou de grupo em consultório. Mas, o psicodrama enquanto ato psicoterapêutico único e público também é ainda utilizado.

O psicodrama parte do problema de um indivíduo, mas na terceira etapa da sessão de psicodrama, que se chama “compartilhamento”, faz-se a ponte entre o problema do indíviduo (protagonista) e os aspectos sociais, coletivos deste problema. No sociodrama parte-se de um problema coletivo, de um tema vivido pelo grupo e na etapa do “compartilhamento” cada participante do grupo entra em contato com sua versão pessoal daquele drama.

Como o psicodrama funciona?

O psicodrama funciona através da dramatização espontânea de cenas das questões trazidas por um cliente ou por todo o grupo, nas quais são postos em ação, no contexto dramático, os papéis privados e sociais dos membros do grupo. O conceito de papel é um dos conceitos básicos da teoria moreniana, que considera que nosso ego é formado pelos diversos papéis que desempenhamos na vida: filho, pai, mãe, profissional, amigo, político, cidadão, etc. Estes papéis podem estar bem desenvolvidos e harmonizados entre si, ou podem estar mal desenvolvidos, conflitivos, gerarndo sofrimento. O desempenho dos papéis no contexto dramático leva o cliente a entender como seus papéis se tornaram fonte de problemas e experimentar, através da dramatização, formas de ir transformando satisfatoriamente os seus papéis.

O psicodrama funciona também com propósitos de ensino/aprendizagem e uso o psicodrama tanto como terapia quanto no processo de ensino/aprendizagem tanto com os profissionais como com gestantes e seus parceiros na aprendizagem dos papéis paterno e materno.

O terapeuta estabelece um diagnóstico do paciente?

A teoria moreniana não tem nem adota uma psicopatologia no sentido de uma classificação de neuroses, psicoses ou uma outra tipologia de problemas. Neste sentido, não estabelece um diagnóstico do cliente. Contudo, o psicodrama, como tantas outras correntes, com o tempo vai sofrendo influências e transformações. Assim, há psicodramatistas que trabalham com tipologias e diagnósticos.

Não existe atualmente uma forma única de fazer psicodrama. Existe, citando apenas um exemplo, o chamado psicodrama triádico, que conjuga as teorias de Moreno com conceitos da psicanálise e da teoria de Kurt Lewin.

O que se espera como resultado do encontro com o paciente?

Moreno vê o ser humano como um ser- em-relação, capaz de espontaneidade e de criatividade. Por espontaneidade entende-se a capacidade que opera no presente, no aqui e agora, propelindo o indivíduo a dar uma resposta adequada a uma nova situação ou uma resposta nova e também adequada para uma situação já conhecida. E a adequação da resposta se julga pelo fato de se a resposta propicia o bem comum. Moreno vê cada ser humano como co-responsável por todos os outros, pelo seu meio ambiente e por todo o cosmos, como capaz de se colocar no lugar do outro, de viver com o outro um encontro existencial.

Assim, a terapia psicodramática tem como objetivo desenvolver a espontaneidade e a criatividade, a responsabilidade do homem por si e por todos os outros e sua capacidade de se colocar no lugar do outro e de viver encontros.

O que é um comportamento ético do terapeuta dentro desta corrente?

Na minha visão, é ajudar o cliente a desenvolver sua espontaneidade e criatividade, dentro desta visão de espontaneidade que leva em conta o bem comum, a responsabilidade de cada ser humano por si próprio, pelos outros e pelo próprio cosmos.

Qual é a maior diferença em relação às outras correntes?

Acho que as diferenças variam de acordo com as correntes com as quais se está fazendo a comparação. Assim, em relação a algumas correntes tem a diferença de usar técnicas de ação incluindo nelas a verbalização. Mas pode ter isto em comum com outras correntes. Em relação a algumas correntes tem o diferencial de trabalhar com o aqui e agora, mas um conceito de aqui e agora, de momento, que inclui o passado como lembranças e o futuro como planos.

Contudo, creio que a grande marca do psicodrama é não dicotimizar o ser humano e sim integrar mente/corpo, ação/reflexão, emoção/razão, hoje/ontem/amanhã, ciência/arte.

Sim, talvez a principal diferença seja integrar ciência e arte, pois surgiu do teatro e se constituiu como um corpo científico, sem perder a veia artística e a alegria.
A epígrafe de Moreno, no seu túmulo, diz bem disso: Aqui jaz o homem que trouxe a alegria para a psiquiatria.

Para você, qual é o objetivo comum entre o psicodrama e as outras correntes?

Acredito que o objetivo final seja promover a felicidade do ser humano e da sociedade, como um todo.