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Diferenças e semelhanças entre o papel de gestante e o de mãe

Já escrevi textos em tantos dias das mães e dos pais que temo me repetir. Já propus que se comemorasse conjuntamente o dia da família, pois, todos são importantes na criação de um filho: mães, pais, avós, tios, padrinhos, amigos. É essa rede familiar que torna mais fácil ou mais difícil o exercício do papel de mãe. Propus também que se dividisse a comemoração em dias separados: o dia dos homens na família e o dia das mulheres. Mas, continuamos a comemorar o dia das mães e dos pais. Assim, vou tentar não me repetir muito e falar do papel da gestante e do papel de mãe.

Uma vez, em uma entrevista na televisão, sobre as comemorações do dia das mães, a entrevistadora me perguntou se eu achava válido a gestante, que ainda não tem filho, comemorar o dia das Mães.

Respondi que sim, desde que ela queira fazê-lo, mas acrescentei a esta resposta uma reflexão sobre a diferença entre o papel de gestante e o papel de mãe. Claro que a televisão resumiu tudo o que eu disse em uma frase que não lembro mais... Aqui vou tentar refletir um pouco mais sobre estas diferenças e semelhanças.

O papel de mãe passa por outros papéis até se concretizar: primeiro o papel de gestante (está gerando o futuro filho), papel de parturiente (está dando à luz ao filho) e papel de puérpera (já é mãe com o filho presente a seus olhos e toque)
Uma semelhança entre o papel de gestante e o de puérpera: todos esperam que ambas estejam o tempo todo felizes. Se isto acontece é uma benção.  Mas, nem sempre é assim. Estes papéis, na prática, são compostos de muitos sentimentos contraditórios: alegria, medo de não dar conta de um filho ou de mais um filho, se for o caso. Confiança misturada com medo de não saber cuidar, de não entender o choro do bebê, etc. E a mulher se sente culpada por estes sentimentos de insegurança, de medo. Mas,  estes sentimentos são normais em nossa cultura, que não nos ensina que somos capazes de dar à luz de forma fisiológica e não nos prepara para cuidar de bebês, nas famílias  cada vez menores, em que um irmão não tem oportunidade de ver um bebê  e participar  de seus cuidados. As meninas pelo menos brincam de bonecas, os meninos nem isso...

Quanto ao papel de parturiente, nossa sociedade inculca nas mulheres as idéias de que parto vaginal, fisiológico é extremamente doloroso, arriscado, enquanto que a cesariana é segura e indolor. Na realidade, a cesárea pode comportar dores por vários dias e se é feita sem a necessidade de evitar risco grave ou fatal para mãe ou para o feto é muito mais arriscada do que o parto vaginal. O parto vaginal nem sempre tem dores e, se tem, elas podem ser amenizadas por métodos naturais e até por anestesia. Tanto no parto vaginal  quanto na cesárea, se a mulher for bem atendida e respeitada, tratada com consideração, ela  entrará muito melhor no seu papel de mãe.

Até agora não falei sobre as diferenças entre o papel de gestante e o de mãe. A grande diferença é que na gestação o bebê é um bebê fantasiado e no pós-parto é um bebê concreto, assim também como a própria mãe se imagina de um jeito e se surpreende sendo de outro. Pensa em seu bebê calminho e ele é agitado ou vice-versa. Imagina-se tendo facilidade para amamentar e aparecem problemas. Ou ao contrário,  como foi o caso de uma mulher que pensava que teria dificuldades para amamentar por considerar a mama só como objeto sexual e  ao contrário teve muita facilidade em fazer esta junção sexo-maternidade e amamentou por bastante tempo.

Então a grande tarefa da mãe, se a fantasia não é parecida com a realidade, é tentar adaptar-se a esta realidade, observando seu bebê e aos poucos decodificando seus sinais, seus modos de ser e interagindo com ele. E observando a si própria, sem negar seus sentimentos. Conversando com outras recém mães, se puder, verá que elas podem ter sentimentos parecidos.

Muitas vezes, até o aspecto físico do bebê surpreende ao nascer. Pode nascer com a cabeça alongada, mas logo irá para o formato redondo. Assim, se não acha-lo bonito ao nascer não se preocupe nem se culpe. Breve, ele estará bonitinho.

Meus votos de felicidades para as gestantes e as que já são mães.

Vitória Pamplona
07/05/2014